Um poste de concreto erguido nesta terça-feira (11) na Praça do Papa, em Vitória, provocou irritação e protestos entre moradores da Enseada do Suá. O equipamento foi instalado a poucos metros da Rosa dos Ventos, uma das obras mais simbólicas do espaço, e rapidamente se tornou motivo de polêmica na região.
Fotos e vídeos circularam em grupos de moradores e chegaram à Associação dos Moradores, Empresários e Investidores da Enseada do Suá (Ameies), que reagiu com um ofício encaminhado à Prefeitura de Vitória. O documento, enviado à Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana, solicita esclarecimentos sobre a motivação da instalação, a autorização da obra e eventuais medidas para reparar danos no piso ou na estrutura artística da praça.
A crítica da Ameies foi direta: a presença do poste fere o conjunto paisagístico e estético da Praça do Papa, conhecida por integrar arte, urbanismo e vista panorâmica da baía de Vitória.
“O novo elemento causa poluição visual e altera o conjunto artístico da Praça do Papa”, disse o presidente da associação, José Márcio Soares de Barros.
Frequentadores lembram que o local é um dos principais cartões-postais da capital e defendem que qualquer intervenção na área deveria passar por avaliação técnica, com respeito à harmonia e ao valor cultural do espaço.
A prefeitura, por sua vez, tentou amenizar a controvérsia. Em nota, a Secretaria de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana afirmou que a estrutura é temporária e faz parte dos preparativos para a decoração natalina de Vitória. O poste servirá como base para a montagem de um grande pinheiro de Natal, que integrará o projeto de iluminação da cidade. Segundo a pasta, após o evento, o equipamento será totalmente removido e o piso restaurado com o mesmo material original.
Símbolo de navegação e sorte, a Rosa dos Ventos é uma das marcas visuais mais conhecidas da Praça do Papa. A obra foi concebida de acordo com a posição geográfica da Ilha de Vitória e traz ao centro uma esfera de inox representando o ponto norte. Criada no século XIV, a Rosa dos Ventos orientava navegadores em alto-mar. Hoje, mantém outro tipo de valor, é referência de direção, fé e pertencimento para quem vê na praça um dos lugares mais emblemáticos do Espírito Santo.


























