Presente em diferentes países e atravessando séculos de história, a maçonaria é uma ordem iniciática formada exclusivamente por homens e marcada por ritos, símbolos e uma estrutura interna reservada. No Brasil, sua atuação esteve ligada a momentos decisivos da formação do Estado, como a luta pela independência, a abolição da escravatura e a proclamação da República, com a participação de figuras públicas que ajudaram a moldar os rumos políticos do país. Ainda assim, por manter práticas internas restritas aos seus membros, a maçonaria sempre despertou curiosidade, desconfiança e diversas interpretações no imaginário popular.
Essa característica de discrição fez com que, ao longo do tempo, a maçonaria fosse alvo de especulações e críticas, muitas vezes baseadas mais em desconhecimento do que em fatos concretos. Apesar disso, a ordem afirma ter como princípios centrais o aperfeiçoamento moral, intelectual e cívico de seus membros, além de uma atuação expressiva em ações filantrópicas, sociais e culturais. Quando o tema chega ao debate político institucional, especialmente dentro do Poder Legislativo, costuma provocar reações intensas e polarizadas.
Foi exatamente esse cenário que se apresentou na última semana na Câmara Municipal de Vitória, quando a maçonaria ganhou protagonismo em um debate entre os vereadores Leonardo Monjardim (NOVO) e Jocelino (PT). Durante a sessão, o vereador Jocelino criticou o número de projetos de lei ligados à maçonaria aprovados pela Casa, insinuando que haveria privilégio na tramitação dessas matérias, que segundo ele estariam sendo colocadas rapidamente em pauta para votação em plenário.
Diante das críticas, o vereador Leonardo Monjardim, maçom e autor de todos os projetos relacionados à maçonaria na Câmara, subiu à tribuna para se manifestar. Em sua fala, afirmou que o vereador do PT desconhece o funcionamento e os princípios da maçonaria, declarou ter orgulho de ser maçom e reforçou que continuará defendendo a instituição no âmbito do Legislativo municipal.
Monjardim afirmou ainda que talvez a estranheza do colega se devesse ao fato de nunca ter visto, naquele plenário, um vereador maçom defender publicamente a maçonaria. Destacou que seguirá com essa postura mesmo que isso lhe custe votos, argumentando que muitos homens públicos preferem se omitir para não desagradar eleitores que criticam a maçonaria de forma equivocada. Segundo ele, sua posição é fruto de convicção pessoal desde o dia em que ingressou na ordem.
Após o debate, o vereador Jocelino voltou a questionar, de maneira indireta, um possível favorecimento na tramitação dos projetos de autoria de Monjardim. O questionamento ganha destaque pelo fato de Leonardo Monjardim ocupar cargos estratégicos na Câmara de Vitória, sendo vice presidente da Casa, líder do governo, corregedor geral e presidente de comissões importantes, como a Comissão de Finanças e a Comissão de Educação.
Nos últimos três anos, Monjardim aprovou 14 projetos de lei voltados à maçonaria. Entre eles estão a criação da Comenda José Bonifácio de Andrada e Silva, destinada a homenagear maçons que se destacam, o reconhecimento de utilidade pública de lojas maçônicas, a inclusão da Caminhada Ecológica Maçônica e da Corrida Maçônica no calendário oficial do município, ações de valorização do patrimônio cultural maçônico, além da tradicional sessão solene realizada anualmente no dia 20 de agosto, data em que se comemora o Dia do Maçom.






























