A escola de samba Acadêmicos de Niterói provocou indignação ao transformar grupos conservadores e religiosos em alvo de escárnio político durante o desfile deste domingo (15), no Carnaval do Rio de Janeiro. Em um enredo que exaltou o presidente Lula, a agremiação levou à avenida a ala “Neoconservadores em conserva”, que retratou adversários ideológicos do petista como figuras caricatas, embaladas em latas de conserva.
A ala, identificada pelo número 22, o mesmo utilizado nas urnas pelo Partido Liberal, apresentou fantasias que associavam o conservadorismo à ideia de algo ultrapassado, engessado e ridicularizado. A lata foi usada como símbolo da chamada “família tradicional”, descrita pela escola como composta apenas por homem, mulher e filhos, numa clara tentativa de desqualificar valores defendidos por milhões de brasileiros.
Entre os alvos do deboche, os evangélicos ganharam destaque negativo. Componentes desfilaram com referências religiosas colocadas “na lata”, em tom de escárnio, associando a fé cristã a um estereótipo político e ideológico. Líderes religiosos e fiéis foram representados como parte de um bloco conservador que, segundo a narrativa da escola, atuaria de forma retrógrada e intolerante na sociedade e na política.
Além dos evangélicos, a ala também satirizou produtores rurais, empresários, defensores das Forças Armadas e críticos do atual governo. Personagens sobre as cabeças dos integrantes simbolizavam, de forma generalizante, setores da sociedade que se opõem a Lula e defendem pautas como privatizações, flexibilização das leis trabalhistas, direito à legítima defesa e valores tradicionais.
No texto oficial do desfile, a escola ainda associou esses grupos a um suposto bloco conservador no Congresso Nacional, acusando-os de promover pautas como a ampliação do porte de armas, a exaltação militar e a defesa do agronegócio, sempre sob o rótulo pejorativo de “neoconservadores”.
A encenação escancarou o uso do carnaval como plataforma de militância política, financiada direta ou indiretamente por recursos públicos, para atacar visões de mundo legítimas e a fé de milhões de brasileiros. Para críticos, o desfile ultrapassou o limite da crítica política e entrou no campo da intolerância religiosa e do preconceito ideológico, normalizados sob o disfarce da sátira cultural.
O episódio reacende o debate sobre até que ponto manifestações artísticas podem servir como instrumento de ataque seletivo, especialmente quando miram crenças religiosas e valores morais profundamente enraizados na sociedade brasileira.




























