Conhecido pelas trilhas, cachoeiras e paisagens de montanha, o Caparaó agora amplia sua vocação turística com um novo roteiro estruturado de experiências em cafés especiais. A iniciativa reúne dez propriedades rurais distribuídas em quatro municípios da região e convida o visitante a ir além da xícara, vivenciando o cotidiano das fazendas, a história das famílias produtoras e os bastidores de um dos cafés mais valorizados do Brasil.
O roteiro integra empreendimentos localizados em Dores do Rio Preto, incluindo a sede do município e Pedra Menina, em Patrimônio da Penha, distrito que envolve áreas de Divino de São Lourenço e do estado do Rio de Janeiro, além de propriedades na região do Príncipe, em Iúna, e em Irupi. Ao todo, são dez fazendas conectadas pela proposta de turismo de experiência, com foco na diversidade e na identidade de cada local.
Segundo Ferreira, analista do Sebrae e um dos articuladores do projeto, a escolha dos empreendimentos buscou garantir capilaridade territorial e evitar a repetição de experiências.
“A ideia não é que o visitante fique indo de um café para outro no mesmo dia, mas que ele tenha opções em diferentes localidades, explorando o que cada região do Caparaó tem de mais forte”, explica.
Muito além da degustação
As experiências oferecidas variam conforme o perfil de cada propriedade. O visitante pode conhecer lavouras, ouvir histórias de gerações que vivem do café, participar de momentos contemplativos e até colocar a mão na massa, como na torra do próprio grão para levar para casa.
No Chalé Dois Corações, por exemplo, a proposta é aproximar o público da rotina do sítio e do modo de vida da família produtora. Para Viviane, uma das empreendedoras do roteiro, a iniciativa traduz um desejo antigo de compartilhar o cotidiano no campo.
“Sempre gostamos de receber pessoas. Agora, isso ganhou forma e organização, sem perder a essência da hospitalidade”, conta.
O roteiro também reúne nomes já consagrados no mercado de cafés especiais, incluindo produtores premiados nacionalmente, ao lado de novos empreendedores que estão começando a investir no turismo rural. Entre os destaques estão o Sítio Relíquia, a Vila Januária, o Café do Príncipe, em Iúna, e o Vale Encantado, em Irupi, cada um com propostas distintas. No Café do Príncipe, o visitante pode vivenciar todo o processo de torrefação.
“É uma experiência diferente, você torrar o seu próprio café e levar para casa”, destaca Ferreira.
Benefício coletivo
Para quem recebe os turistas, os impactos vão além da porteira. Viviane ressalta que o aumento do fluxo de visitantes movimenta toda a economia local.
“Vindo mais pessoas, as lojas vendem mais, o mercado vende mais. Não é só a gente, acaba puxando tudo junto”, afirma.
O café servido nas propriedades também funciona como vitrine para outros produtores da região. Queijos, biscoitos e produtos artesanais de parceiros locais fazem parte da experiência, fortalecendo uma rede de empreendedores e ampliando a visibilidade da produção regional.
Produção que vira experiência
O Sebrae atuou com consultorias voltadas à transformação da produção agrícola em produto turístico. A proposta não foi criar pacotes engessados, mas ajudar cada produtor a identificar suas potencialidades e estruturar experiências autênticas.
“O produtor olhou para o que já fazia no dia a dia e, a partir disso, construiu sua experiência. Nosso papel foi orientar sobre organização, narrativa, atendimento e comunicação”, explica Ferreira.
A seleção dos participantes contou com o apoio da Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e buscou ampliar o alcance territorial do projeto, incluindo propriedades fora dos circuitos mais conhecidos, como Pedra Menina. A estratégia também estimula prefeituras e produtores a enxergarem o café não apenas como commodity, mas como vetor de turismo, identidade e desenvolvimento regional.
Mais motivos para ficar
A expectativa é que o novo roteiro ajude a reter o turista por mais tempo no Caparaó, região distante da Grande Vitória e que muitas vezes recebe visitantes apenas em passagens rápidas. Com mais opções de experiências, o produtor diversifica a renda e o turista encontra novos motivos para permanecer.
“Tudo gira em torno do café, mas cada lugar tem sua própria proposta. Ficou muito bacana”, resume Viviane.
Além das consultorias, o Sebrae entregou materiais de divulgação, como fotos profissionais, vídeos, folders impressos e digitais, além de ajustes em ferramentas como o Google Maps. A meta é consolidar o Caparaó como destino nacional de turismo de experiência ligado ao café, unindo produção, cultura, hospitalidade e histórias que convidam o visitante a ficar, e voltar.






























