O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) decidiu transformar o inconformismo político em gesto concreto. Desde a manhã desta segunda-feira (19), ele percorre a pé mais de 200 quilômetros pela BR-040, saindo de Paracatu, no interior de Minas Gerais, com destino a Brasília. A chegada está prevista para o próximo domingo (25), quando aliados planejam um ato público na capital federal. A iniciativa foi batizada de “caminhada pela liberdade”.

A decisão veio após o cumprimento de agenda em Minas. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Nikolas contou que desistiu de voltar para casa ao sentir que não poderia simplesmente seguir a rotina diante do que classificou como uma sequência de abusos e escândalos políticos no país. Segundo ele, há um processo de normalização de fatos graves que deveria causar indignação coletiva.

“Meu coração tem ficado inquieto há muito tempo com o que está acontecendo. O brasileiro foi colocado numa posição de impotência, quase de manipulação psicológica, em que nada mais choca”, afirmou o parlamentar, ao mencionar as condenações ligadas aos atos de 8 de janeiro e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nikolas sustenta que a sensação de impotência não atinge apenas a população, mas também parlamentares, que, segundo ele, estariam de mãos atadas diante de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Em tom crítico, o deputado direcionou ataques à Corte e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dizendo que o país se acostumou a situações que, em outros momentos, teriam levado multidões às ruas.

A caminhada tem forte apelo simbólico. Ao justificar o gesto, Nikolas relembrou as mobilizações populares que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, como prova de que a pressão popular pode mudar os rumos do país.

“Hoje, sobrou a nossa voz. E se Deus me deu essa voz, eu vou usá-la”, declarou.

O ato começou a atrair outros nomes da direita. Já confirmaram participação os deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), além dos vereadores Lucas Pavanato (PL-SP), Fernando Holiday (PL-SP) e Dinho Souza (PL-ES), e do deputado estadual Lucas Polese (PL-ES). André Fernandes e Gustavo Gayer já se encontraram com Nikolas ao longo do trajeto.

Ao longo da caminhada, o deputado tem reforçado que o protesto pede a liberdade de Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão, e questiona a situação dos presos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, classificados pela Justiça como tentativa de golpe de Estado.

A mobilização ocorre poucos dias depois de Nikolas voltar ao centro do debate nacional ao divulgar vídeos sugerindo que o governo federal estaria monitorando e planejando taxar o Pix. As informações foram negadas pela Receita Federal e rebatidas publicamente pelo presidente Lula, mas tiveram ampla repercussão nas redes sociais, ampliando a base de apoio do parlamentar e aprofundando o clima de polarização no início de 2026.

Com a chegada prevista para o fim de semana, aliados esperam transformar o ato em Brasília em uma demonstração de força política da direita, marcando mais um capítulo da tensão crescente entre setores conservadores, o Judiciário e o governo federal.

O sistema de pagamentos instantâneos PIX apresentou instabilidade nesta segunda-feira (19), provocando dificuldades para usuários em diversas instituições financeiras em todo o país. As falhas foram amplamente relatadas nas redes sociais, onde clientes afirmaram não conseguir realizar transferências, pagamentos e recebimentos ao longo do dia.

De acordo com o site DownDetector, plataforma que monitora interrupções em serviços digitais, mais de 6 mil reclamações foram registradas até por volta das 14h40. O pico de notificações ocorreu de forma simultânea em diferentes bancos, o que reforça a suspeita de que o problema esteja relacionado ao sistema do Banco Central, responsável pela infraestrutura do PIX, e não a falhas isoladas nas instituições.

Entre os bancos com maior volume de reclamações estão Inter, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Nubank, Santander, Caixa Econômica Federal e C6 Bank. Usuários relataram mensagens de erro, transações pendentes e indisponibilidade temporária do serviço nos aplicativos.

Até o momento, o Banco Central não divulgou nota oficial detalhando as causas da instabilidade ou previsão para a normalização completa do sistema. As instituições financeiras afetadas também informaram, em comunicados pontuais aos clientes, que acompanham o problema e aguardam a regularização do serviço.

O PIX é hoje o principal meio de pagamento utilizado no Brasil, tanto por pessoas físicas quanto por empresas, o que faz com que qualquer instabilidade tenha impacto imediato na rotina financeira da população.

O ex-juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) Samer Agi criticou publicamente o ator Wagner Moura após o discurso feito pelo artista durante a cerimônia do Globo de Ouro, realizada no último dia 11 de janeiro. A manifestação foi publicada nas redes sociais e repercutiu amplamente, gerando debates e reações de apoiadores e críticos do ator.

Na postagem, Agi reconhece o talento e a trajetória profissional de Wagner Moura, mas afirma que o ator desperdiçou uma oportunidade de promover união ao adotar um tom político em um evento de projeção internacional.

“O mérito lhe deu palco, mas o palco não lhe deu sabedoria”, escreveu o ex-magistrado, ao comentar a fala do ator durante o agradecimento pela premiação.

Segundo Samer Agi, figuras públicas que alcançam visibilidade global carregam uma responsabilidade social maior e deveriam usar esse espaço para contribuir de maneira concreta com a sociedade, evitando discursos que, em sua avaliação, aprofundam divisões políticas já existentes no país.

O ex-juiz também criticou o fato de Wagner Moura ter direcionado ataques a um político que já foi julgado, afirmando que esse tipo de posicionamento não produz efeitos práticos para a população brasileira.

“Em quê a fala do ator ajudou o brasileiro? Em nada. Ele só dividiu um povo já dividido”, afirmou.

Na mesma publicação, Agi foi além e sugeriu que, caso Wagner Moura venha a vencer o Oscar, utilize o discurso para abordar denúncias envolvendo aposentados e supostos desvios de recursos, tema que, segundo ele, ainda não foi apreciado pela Justiça.

“Ao subir ao palco, Wagner, ofereça o prêmio aos aposentados, supostamente roubados pelo filho do presidente atual e cia. O fato ainda não foi julgado. Seu discurso pode jogar luz sobre o tema. E salvar muitos idosos tupiniquins”, escreveu.

Em tom crítico, ele completou dizendo que uma eventual manifestação poderia pressionar instituições e provocar mudanças reais.

“Talvez a CPMI deixe acabar em pizza, os envolvidos sejam presos e o país se torne melhor. Um discurso pode mudar tudo. Ou nada. Depende de você, Wagner; idosos esperam sua fala com a estatueta. Nós também.”

Samer Agi está afastado da magistratura e atualmente atua como advogado, professor, palestrante e influenciador digital. Com mais de 2,4 milhões de seguidores no Instagram, ele costuma publicar análises sobre comunicação, oratória, comportamento e temas ligados à política e à vida pública.

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), deixou claro nesta quinta-feira (13) que a prisão do ex-presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, não encerra a investigação. Pelo contrário. Segundo ele, o cerco está apenas começando.

“Isso é só o começo. Tem muita gente que ainda vai ser presa. Tem muita estrutura pública que vai cair. Tem muita verdade que vai aparecer”, afirmou o senador em publicação no X (antigo Twitter).

A fala ecoa o clima de tensão em Brasília após a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, que investiga um esquema de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS em todo o país. Policiais cumpriram 63 mandados de busca e apreensão, além de prisões preventivas, atingindo servidores, empresários e até parlamentares.

Entre os alvos estão o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), suspeito de envolvimento em negócios com entidades ligadas aos desvios, e o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PL-MA), ex-presidente de uma associação de pescadores usada para descontos ilegais em benefícios. Nenhum dos dois se pronunciou até o momento.

Carlos Viana afirmou que o foco das investigações agora se volta ao que chamou de “primeiro núcleo”, formado, segundo ele, por políticos e servidores de carreira que, ao longo de sucessivos governos, ajudaram a sustentar a rede de corrupção dentro do sistema previdenciário.

“Os dois parlamentares não são os únicos. Há outros que têm envolvimento e prestarão depoimentos no momento certo ao STF. Se a comissão entender que será necessária a convocação, ela será feita”, disse o presidente da CPI, ao ser questionado sobre os próximos passos da apuração.

O senador também revelou que há investigados dispostos a colaborar com as autoridades.

“Há outras pessoas dispostas a fazer delação, inclusive a esta CPMI”, afirmou, sugerindo que novas informações podem vir à tona nos próximos dias.

Desde o início da comissão, o relator Alfredo Gaspar (União-AL) já vinha alertando que o caso não se limitava a fraudes administrativas. Em setembro, ele disse estar “muito convicto” de que a investigação chegaria a parlamentares. No mês seguinte, defendeu a convocação do deputado Pettersen e do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Weverton, inclusive, é próximo de Rodrigo Martins Corrêa, administrador de uma de suas empresas e sócio da Voga, escritório responsável pela contabilidade dos negócios do lobista conhecido como “Careca do INSS”, personagem central no esquema, que movimentava recursos em offshores no exterior.

A CPI deve votar ainda nesta quinta-feira (13) a convocação de Edson Duarte, um dos alvos da operação. No Senado e na Câmara, a avaliação é unânime: o caso está longe do fim, e o que já veio à tona pode ser apenas a ponta de um esquema bilionário que drenou o dinheiro de quem mais depende do Estado, os aposentados.

O ex-desembargador Sebastião Coelho voltou a se manifestar nas redes sociais — desta vez, para pedir que o Senado rejeite a recondução de Paulo Gonet ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). No vídeo, direto e sem rodeios, ele afirma que o procurador é “um dos grandes responsáveis pela desgraça que o país está vivendo”, em referência às denúncias que atingiram Jair Bolsonaro, militares e ex-assessores do governo anterior.

Segundo Coelho, sem o aval de Gonet, as investigações conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal não teriam sequer existido. Ele acusa o procurador de dar “legitimidade institucional” a abusos e perseguições políticas travestidas de legalidade.

O ex-magistrado mencionou também casos específicos, como o do ex-assessor Felipe Martins, lembrando que “todas as denúncias passam pelas mãos de Gonet”.

“O procurador é parte da engrenagem que sufoca liberdades e destrói reputações. O Senado precisa reagir. Reconduzi-lo é premiar a submissão do Ministério Público ao Supremo”, afirmou Coelho.

Pressão sobre senadores do DF

No mesmo vídeo, o ex-desembargador fez um apelo direto à bancada do Distrito Federal. Disse estar certo de que Damares Alves (Republicanos-DF) e Izalci Lucas (PL-DF) votarão contra a recondução de Gonet, mas cobrou posicionamento da senadora Leila Barros (PDT-DF).

“Se votar a favor, estará votando contra os conservadores, contra o povo que acredita na independência das instituições”, advertiu.

Coelho também convocou os eleitores a pressionarem seus senadores antes da sabatina de Gonet, marcada para esta quarta-feira (12), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

“Você precisa ligar para o seu senador. Se, mesmo assim, ele for aprovado, o sistema estará completo — Executivo, Supremo e procurador-geral alinhados”, declarou.

Lula reforça controle sobre a PGR

A recondução de Gonet foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de setembro, poucos dias antes do julgamento de Bolsonaro no STF. O procurador, que está no cargo desde dezembro de 2023, precisa de nova aprovação do Senado para seguir por mais dois anos.

O governo acredita ter votos suficientes para confirmar o nome, mas parte da oposição promete resistência. Senadores ligados a Bolsonaro afirmam que o procurador agiu com viés político ao endossar as denúncias que levaram à condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por suposta tentativa de golpe.

“A PGR virou puxadinho do Supremo”

Para o advogado André Marsiglia, a recondução de Gonet deve passar, mas com uma votação mais apertada do que a anterior, quando ele recebeu 65 votos favoráveis. Ele projeta ao menos 25 votos contrários, reflexo do desgaste do procurador.

“A aprovação de Gonet mostrará a força do Supremo sobre o Congresso. A PGR virou um puxadinho do STF, e Gonet se comporta como uma extensão do poder de Alexandre de Moraes”, afirmou.

Marsiglia defende que, mesmo se não houver votos suficientes para barrar a recondução, a sabatina sirva para expor o comportamento do procurador, especialmente nos casos em que o Ministério Público foi acusado de fechar os olhos para abusos de autoridade.

“O mínimo que se espera é que o Senado o confronte. Que Gonet explique ao país até onde vai a independência da PGR sob sua gestão. Não dá mais para fingir que nada acontece”, completou o advogado.

Depois de quase noventa dias de espera, o ministro Alexandre de Moraes finalmente autorizou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. A decisão, assinada nesta terça-feira (11), permite o encontro no dia 21 de novembro, entre 9h e 18h.

A liberação encerra uma longa sequência de pedidos negados ou ignorados pelo Supremo Tribunal Federal, desde que Bolsonaro passou a cumprir pena em casa, enquanto aguarda a definição final sobre sua condenação no inquérito do golpe.

Além de Nikolas, Moraes também abriu espaço para outros aliados próximos do ex-presidente. O ex-ministro Adolfo Sachsida foi autorizado a visitá-lo na quinta-feira (13), e o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, na sexta-feira (14).

Os encontros serão monitorados e fazem parte das restrições impostas pelo Supremo, que exige autorização prévia para qualquer visita. A defesa de Nikolas argumentou que o parlamentar mantém com Bolsonaro uma relação pessoal e política de confiança, construída muito antes do atual mandato, e que a visita tem caráter estritamente pessoal.

Com a decisão, o deputado mineiro volta a ter contato direto com o ex-presidente, num momento em que o bolsonarismo busca reorganizar forças e projetar seus próximos passos.

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